Voo para o Brasil e a nossa experiência nada Azul

Nossa última viagem para o Brasil não foi uma experiência muito agradável. Quem me acompanha pelo Instagram viu que chegar ao nosso destino final foi uma verdadeira saga. E, infelizmente, voltar para casa não foi diferente. Atrasos, cancelamentos e descaso da companhia aérea fizeram de nossa viagem de férias um verdadeiro transtorno. E para tentar evitar que vocês que nos acompanham passem pelos mesmos problemas, decidi fazer esse post como alerta.

Como nossas idas para o Brasil são programadas com bastante antecedência, compramos nossas passagens em junho de 2016. Quando vimos que a Azul havia começado a operar alguns voos internacionais, decidimos experimentar voar pela companhia. A principal vantagem: eles também fazem o voo local que precisamos de São Paulo (Aeroporto de Viracopos) para Uberlândia, Minas Gerais.

Saímos da Suíça (Aeroporto de Genebra) no dia 13 de dezembro de 2016 às 7 horas da manhã com destino a Lisboa. Lá, deveríamos pegar o voo para São Paulo (aeroporto de Viracopos, em Campinas) às 10h04 da manhã, hora local. Chegamos a Lisboa no horário previsto e nos dirigimos ao portão de embarque do nosso próximo voo. Faz parte do nosso ritual preparar a Giovanna entre um voo e outro (troca de fraldas e roupa, quando necessário, para que ela esteja bem confortável quando o voo mais longo começar) e foi o que fizemos assim que desembarcamos em Lisboa. Quando chegamos ao portão de embarque, por volta das 9 da manhã, a desagradável primeira surpresa: nosso voo estava cancelado e postergado para às 23 horas. Sim, eu disse 23 horas. O quê? Mas por quê? A aeronave que operaria nosso voo tinha sido desviada para a cidade do Porto devido ao mau tempo em Lisboa no início da manhã. Ok, condições climáticas fazem isso, mas daí a alterar o voo para depois de mais de 12 horas do horário previsto só podia ser sacanagem. Mas não era. Pedimos que nos enviassem a um hotel, já que estávamos viajando com um bebê de um ano e quatro meses, ou que nos oferecessem acesso ao Lounge (sala VIP) do aeroporto para termos mais conforto, principalmente por causa da Giovanna. A atendente da TAP, após algumas ligações, nos disse que só tinha autorização para nos oferecer vouchers de alimentação para café da manhã, almoço e jantar. Ficamos então na praça de alimentação do aeroporto de Lisboa, onde nos instalamos por um bom tempo e a Giovanna até dormiu por ali mesmo.

Espera no aeroporto de Lisboa

Giovanna dormindo no sofá do aeroporto

Da praça de alimentação, acompanhávamos o status do voo que, por muito tempo, apareceu no monitor como “atrasado”. De uma hora pra outra, o status foi alterado para “Portão Fechado”. Oi? Como assim?

Marido correu então para falar com um funcionário da TAP e verificar o que isso significava, e ele informou que isso indicava que o embarque havia sido encerrado e que a aeronave estava pronta para decolar. De novo: oi? Enquanto aguardávamos na fila do balcão de informações da TAP, ligamos na Central de atendimento da Azul no Brasil, que mostrou total despreparo para resolver qualquer situação relacionada a um voo internacional. Fomos aconselhados a procurar o guichê da TAP, que nos disse que deveríamos ir até a área de check-in para melhores informações.

Saímos então para a área de check-in para tentar entender melhor o que não conseguiram nos informar nem na ligação, nem no balcão de informações da TAP. Não, o voo não estava pronto para decolar e a previsão era de fato sairmos de Lisboa às 23h. Mas deu o que fazer para termos essa informação finalmente concretizada. Outra preocupação nossa era a emissão dos bilhetes da nossa conexão que, com o atraso longo em Lisboa, certamente sofreria alteração. Como a Azul não tem guichê em Lisboa, fomos aconselhados a buscar informações no guichê da empresa Groundforce. Depois de literalmente irmos de um guichê a outro (entre Groundforce e TAP), voltamos para a área de embarque sem nossos tickets da conexão e exaustos – Giovanna então, nem se fala. Foi aí que decidimos pagar pelo acesso ao Lounge para tomarmos banho e renovarmos um pouco as energias para enfrentarmos as horas de voo que viriam pela frente. Repito: pagamos do nosso bolso, pois a Azul não quis oferecer um auxílio alinhado às condições de um bebê. Ali ficamos instalados até o momento do embarque.

Longe do aeroporto de Lisboa

No Lounge, Giovanna mostrando sinais de cansaço.

Infelizmente, nossa experiência nada azul não se deu apenas durante a espera. No momento que nos preparávamos para decolar também tivemos um pequeno stress com uma das comissárias. Estou habituada a viajar com a Giovanna desde que ela tinha 3 meses de idade (quem nos acompanha por aqui sabe disso e já viaja conosco há algum tempo também). Já fizemos voos internacionais em diferentes companhias, desde voos mais curtos a voos mais longos. TODAS, sem exceção, trazem um cinto de segurança adicional (como a Giovanna viaja no colo, esse cinto é acoplado ao cinto de um dos pais – eu conto mais sobre isso neste post aqui). Outro item que sempre recebemos é um colete salva-vidas extra (que graças a Deus nunca precisamos usar). Ao perceber que já havia terminado o embarque e que logo poderíamos decolar, chamei uma das comissárias e perguntei sobre os itens de segurança voltados para o bebê. Ela respondeu de forma bastante ríspida que a Azul não tinha esses itens, pois cada companhia aérea tem suas próprias medidas de segurança. Ok, a Azul não segue os padrões da maioria das companhias aéreas que já usei no MUNDO, mas ela poderia ter sido mais educada na resposta. O fato é que, ao final do voo, veio um outro comissário se desculpar e pegar nossos dados, pois usariam nossa reclamação para sugerir melhorias nos procedimentos de segurança da companhia. Né?

Ok, chegamos a Viracopos e, como previsto, havíamos perdido nossa conexão para Uberlândia. E agora? Agora era esperar até 16h30 (detalhe: chegamos às 8h45 da manhã), horário do próximo voo. Dessa vez, nem vouchers de alimentação nos foram oferecidos. E ainda enfrentamos uma fila enorme para termos nossos bilhetes e sabermos em que voo seguiríamos para nosso destino final. Mas nossa maior revolta é que o descaso não para por aí. Depois de 7 horas de espera em Campinas (estão lembrados que esperamos 13 em Lisboa, né?), nosso voo decolou para Uberlândia mesmo com um baita temporal no destino, o que deixava nossa possibilidade de pouso bastante duvidosa. Fui informada por familiares que chovia muito forte na cidade e que, naquelas condições, dificilmente conseguiríamos pousar. Dito e feito: nossa aeronave não pôde pousar em Uberlândia (MG) e se dirigiu para o aeroporto de São José do Rio Preto (SP). Lá, esperamos por 40 minutos dentro da aeronave para que ela fosse abastecida e retornasse a Uberlândia, uma vez que o aeroporto estava novamente em condições de pouso. Emoções à flor da pele, nesse momento eu cheguei a chorar. Era muito para o meu emocional ficar mais de 40 horas em trânsito… Troquei a ÚLTIMA fralda que tinha da Giovanna e pedi a Deus que aquela viagem terminasse logo, pois eu não tinha mais energia nem os suprimentos necessários para aguentar mais tempo em um avião – ou aeroporto – com minha filha. Graças a Deus a saga da ida acabou aqui e chegamos a Uberlândia depois das 21 horas (quase 45 horas depois da hora que saímos de casa, considerando as alterações de fuso horário).

Mas nossa experiência Nada Azul continuou na nossa viagem de volta… Senta que lá vem mais história:

Já tínhamos em nossa previsão uma espera de 6 horas em Campinas devido ao horário que saímos de Uberlândia. Chegamos no Aeroporto de Viracopos no dia 02 de janeiro de 2017 por volta do meio-dia e fomos para um restaurante aguardar, pois nosso voo era somente às 18 horas. Em Uberlândia, despachamos todas as bagagens e recebemos todos os tickets até nosso destino final: Genebra, na Suíça. Por volta das 14h, marido foi até o balcão de check-in da Azul para confirmar nossos assentos do voo (algo que sempre fazemos pelo fato de viajarmos com uma bebê) e recebeu a informação de que o voo estava com duas horas de atraso, ou seja, só sairíamos de Campinas às 20h.

Esse atraso, embora pequeno, já significava que perderíamos o nosso voo seguinte (de Lisboa para Genebra), que estava agendado para às 6h10 (horário de Brasília, ou 8h10 na hora local). Ao questionarmos como ficaria nossa situação, a funcionária informou que a Azul estava reprogramando as conexões de todos os passageiros e que deveríamos passar no balcão de check-in dentro de algumas horas para obter uma informação mais precisa. Voltamos no horário combinado e fomos informados que seríamos alocados em um voo com partida às 17h30 (horário de Brasília, ou 19h30 na hora local) com chegada a Genebra apenas às 20h (horário de Brasília, ou 23h na hora local), representando uma espera aproximada de 11h. Ah, de novo não! Parecia brincadeira, mas não era.

Explicamos, então, toda a situação de nossa viagem de ida e a dificuldade que isso representa numa viagem com bebês de colo. Manifestamos nossa insatisfação com a companhia e pedimos que verificassem uma outra opção de voo, para que pudéssemos ter um tempo menor de espera em Lisboa e não passássemos pelo mesmo stress que já havíamos passado 3 semanas antes.

Após algumas ligações, a moça que nos atendia confirmou nossa reserva em ou voo operado pela TAP que sairia um pouco mais cedo. Este voo partiria de Lisboa às 12h05 (horário de Brasília, ou 14h05 na hora local). Ela nos informou que não poderia imprimir os cartões de embarque, porque não possuía acesso ao sistema da TAP. Mas nos deu uma cópia impressa da reserva, atualizada, onde constava o referido voo. Completou dizendo que deveríamos procurar um guichê da TAP, quando chegássemos à Lisboa, para retirar os novos cartões de embarque. E assim fizemos assim que chegamos em terras portuguesas. No entanto, para nossa surpresa, a TAP não conseguia nos localizar no voo. Pior: não nos localizavam em NENHUM voo. Nossa viagem, teoricamente, terminava ali, em Lisboa. Oi???

A saga da nossa ida se repetiu. Pipocamos entre guichês da TAP e da Groundforce para finalmente recebermos a informação do grande descaso que a Azul Linhas Aéreas teve conosco: a reserva não havia sido confirmada, o que impedia a TAP de emitir os cartões de embarque.

Após longas verificações em seu sistema e algumas ligações, uma santa funcionária da TAP conseguiu finalmente confirmar nossas reservas feitas pela Azul no dito voo, com destino a Genebra. Porém, no momento da impressão dos tickets, um outro problema foi constatado: quando a Azul efetuou a reserva para este voo, ela reservou o bilhete da Giovanna (que é um bebê com menos de 2 anos, e portanto viaja no colo), como um bilhete de adulto. Como o voo não comportava mais um adulto (o voo estava cheio), não era possível fazer o check-in.

E aí quando você pensa que está tudo resolvido, vem mais essa bomba. A santa atendente da TAP então nos apresentou duas opções para resolver este problema, sendo: ir novamente ao guichê da empresa Groundforce e solicitar a alteração do bilhete da Giovanna de adulto para bebê (que não demanda disponibilidade de assento), ou comprar um bilhete de bebê, com um custo de EUR 84,00.

Após tantas idas e vindas em diversos guichês (4, no total), e também considerando que após quase 3h da chegada em Lisboa não havíamos sequer conseguido parar para trocar a fralda da Giovanna, optamos por pagar os EUR 84,00 para ter uma solução mais rápida. E assim conseguimos embarcar no voo das 14h05 para chegarmos finalmente em casa.

Fim da história. E fim de todas as nossas possíveis viagens com a Azul. Despreparo para voos internacionais. Descaso com os passageiros. Ausência de atendimento no aeroporto de Lisboa. As próprias funcionárias da TAP nos confirmaram que inúmeros problemas têm acontecido com essa “parceria”. Portanto, pense um milhão de vezes antes de decidir voar com essa companhia aérea. Lembre-se das 20 horas que passamos esperando na ida e do transtorno que nos causaram na volta. 3 horas pipocando entre um guichê e outro porque a Azul simplesmente nos deixou sem uma continuação da nossa viagem PAGA há mais de seis meses. Pense bem. Viagem não pode ter esse tipo de stress. Principalmente quando você viaja com um bebê de colo. Não foi uma experiência Azul e eu não recomendo pra ninguém. E antes que alguém sugira, sim, nós já estamos processando a companhia aérea, pois uma situação como essa não dá pra simplesmente engolir. E de quebra, faço meu marketing negativo por aqui, pra evitar que vocês caiam na mesma roubada que caímos. #naovoeazul #experiencianadaazul

E pra você que quer saber mais sobre essa viagem, esse post aqui fala de como sobrevivi 40 horas de um voo tão longo com um bebê: recursos de distração, artimanhas da mala de mão e outras cositas más.

E sobre nossa Experiência Nada Azul, tem vídeo lá no youtube também, para podermos contar ao maior número de pessoas possível sobre todo esse stress afim de evitar que outras pessoas passem pelos mesmos transtornos que passamos. Ajudem a divulgar, curtam e compartilhem com amigos e familiares. Nós não podemos nos calar diante de um descaso desses e engolir o que fazem pensando que nunca vai dar em nada. Se não fizermos nossa parte, sempre vai ficar por isso mesmo! (Clique aqui e acesse o vídeo)

Voilà e até a nossa próxima viagem!

4 comentários sobre “Voo para o Brasil e a nossa experiência nada Azul

  1. Monica

    Caramba, Fê!! Que absurdo o que vocês passaram!! É um total descaso e falta de respeito com o cliente! Fiquei cansada só de ler!! Nunca viajei Azul, e agora é que não viajo mesmo!
    Obrigada por partilhar sua experiência com a gente!!
    Um beijo!!

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    1. Fernanda Diniz Post author

      Pois é, Monica… Graças a Deus passou, mas como disse, não desejo isso a ninguém e por isso fiz questão de registrar tudo aqui no blog. Obrigada pelo carinho de sempre! Beijos!

      Responder
  2. tatiana

    Meu Deus, Fê! Eu lembrava que vc havia passado perrengues, mas não assim. Isso não foi uma viagem, foi um filme de terror.
    Que descaso, chocada com a Azul. #indignada

    Responder
    1. Fernanda Diniz Post author

      Pois é, Tati… revoltante, né? E realmente o pior é o descaso… Vivemos momentos de muita tensão e achei que isso precisava ser dividido pra evitar que outras pessoas passem pelo mesmo. Não podemos aceitar esse tipo de tratamento, né? Beijos e obrigada pelo apoio! E lembre-se: #naovoeazul

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